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Nada melhor do que comprar um carro e sentir aquele cheirinho de novo
Mas você sabia que cheiro de carro novo segue regras e tem limites? Na Volkswagen existe uma equipe especializada de 14 pessoas, que literalmente cheiram todos os componentes internos do veículo para garantir o apreciado cheiro de carro zero, novinho em folha.
A técnica de cheirar as peças surgiu na Europa na metade da década de 1990. No Brasil, a fábrica de São Bernardo do Campo implementou o teste em 1995. A química industrial e analista de laboratório Maria de Lourdes Di Franco foi até a matriz alemã conhecer a técnica. “Eles queriam saber se eu conseguia identificar os diferentes odores e se a minha percepção de bom e ruim era a mesma que a deles”, relembra. De volta ao Brasil, Maria de Lourdes foi a responsável pela multiplicação da função no país.
Maria de Lourdes começou na Volkswagen em 1982 como estagiária e sempre demonstrou familiaridade em separar os odores de diferentes substâncias queimadas. Quando os testes olfativos foram integrados oficialmente em 1998, o primeiro carro ‘cheirado’ pelo Centro Tecnológico de Materiais da empresa foi o Gol Geração 3. Em pouco tempo, os carros brasileiros já atendiam as exigências europeias. “Nunca tivemos reclamação quanto ao cheiro do carro pelos compradores internacionais”, comemora Maria de Lourdes.
O teste de odor é relativamente simples. A equipe retira um pedaço das peças internas dos veículos, como tapete, teto, painel, volante, revestimento dos bancos e difusor de ar. A amostra é exposta a temperaturas elevadas, que podem chegar a 80ºC, para simular o interior de um carro deixado sob o sol por muito tempo – a situação dentro do carro nessa situação gira em torno de 60º C. Após, o material fica em temperatura ambiente por três minutos, antes de passar pelo teste do cheiro. Para isso, são utilizados equipamentos que permitem testes precisos que garantem equilíbrio no cheiro de novidade que os carros zero km possuem.
Geralmente, são necessárias três pessoas para que o resultado seja o mais preciso possível. Na fábrica de São Bernardo a equipe é de cinco pessoas. Elas avaliam o odor e classificam em um dos seis níveis de uma tabela – a mesma usada na Europa. O nível 1 é aquele sem cheiro algum e o nível 6 é quando o cheiro atinge intensidade insuportável. “O nível considerado equilibrado é o nível 3, quando o odor é perceptível, mas não incomoda os passageiros”, explica Maria.
Em outras fábricas da Volkswagen o teste é feito por amostragem em pelo menos cinco unidades de cada modelo. Segundo Maria de Lourdes, hoje é muito raro encontrar algo fora do normal. “Se isso acontecer, nós procuramos a raiz do problema e isso pode envolver fornecedores da empresa”, ressalta.
A Volkswagen é pioneira nesse segmento. A empresa montou primeiro uma equipe especialista em odores, composta por engenheiros químicos e de materiais, que tomam diversos cuidados para preservar seu instrumento de trabalho, o nariz. Os profissionais são aconselhados a não usar perfume muito forte e a não chupar bala antes dos testes, para garantir um bom resultado. “São detalhes que resultam em grandes avanços. Contamos com a cooperação dos diretores e engenheiros, pois o excesso de odor cria ardência nos olhos e coriza no nariz de quem entra no veículo. Afinal, investimos tanto em tecnologia que não podemos deixar que o excesso de cheiro tire o bem-estar de quem dirige um Volkswagen”, disse Maria de Lourdes.
Osmologia: a ciência do cheiro
O estudo de cheiros e aroma é chamado de osmologia, que é o estudo dos odores, da percepção olfativa e do relacionamento das partículas odoríferas com o ser humano por meio do olfato. A ciência é um grande desafio, pois enquanto a visão humana é composta por três sensações primárias e o olfato possui 50 delas.
A aromaterapia é uma técnica de relaxamento e tratamento de algumas dores baseada nos diversos efeitos que os cheiros causam nas pessoas. “O cérebro humano associa automaticamente determinado cheiro com alguma pessoa, situação ou lugar”, explicou Maria de Lourdes, da Volkswagen. Existem pessoas que associam o cheiro do giz de cera, por exemplo, com infância ou frutas cítricas – como a mexerica – com a vida no campo.
Na atualidade a osmologia vem se tornando um ramo da Ciência Médica, através do uso de técnicas terapêuticas conhecidas genericamente como aromaterapia.
Fonte: http://noticiasdaoficina.com.br/
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