| O Pantanal mato-grossense é um paraíso para quem gosta de ver bichos. E eles estão por todos os cantos. Há revoadas de tuiuiús e garças, famílias inteiras de capivaras e jacarés, muitos jacarés. Comecei minha visita à região alagadiça pela sua porção norte, a partir de Cuiabá. Fui para Poconé para percorrer a famosa Transpantaneira, a estrada que vai até Porto Jofre, a entrada para o Parque Nacional do Pantanal. Na época achei a estrada uma aventura daquelas. Afinal, ao longo dos 147 quilômetros ficavam 118 pontes de madeira.
Contratei um guia para não me arriscar na estrada desconhecida. Ele foi bem útil, já que anotou a localização de cada uma das pontes e a quilometragem do hodômetro do meu carro. No caminho, comi poeira por todos os poros, mas foi uma das viagens mais bonitas que fiz. Como a estrada é reta, o tal do guia contratado também serviu para alinhar as madeiras das pontes para eu passar com o carro. Suei frio ao vencer as primeiras, mas depois, tomei gosto pela aventura.
Para conhecer o parque era preciso ter autorização do Ibama, desisti no final do trajeto e resolvi voltar para Poconé. O guia me alertou que havia risco de encontrarmos onça pelo caminho, já que o animal tem hábitos noturnos, e que dias antes um jornalista estrangeiro tinha se aventurado pela mata à noite e sozinho. Do pobre homem só encontraram os documentos. Não confirmei se a história era verídica, mas resolvi não bobear no caminha e poupar meu pobre guia de alinhar as madeiras de nenhuma das pontes. Passei pelas 118 sem parar. Apenas ouvia do moço: “A pon (te)”. No dia seguinte, ele não me acompanhou mais. Desistiu. Juro que não sei o motivo...risos.
Uma boa ponte na Transpantaneira:
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